domingo, 15 de janeiro de 2012

Marília Medalha

Quando assisti ao documentário "Uma Noite em 67", uma voz ficou marcada nos meus ouvidos e a curiosidade, felizmente, me fez descobrir uma cantora que há muito o Brasil não oferece devida homenagem.



Marília Medalha apareceu no início da década de 60, no Rio de Janeiro, junto com seus companheiros de geração, Tião Neto, Sergio Mendes e o grupo MPB-4. Em 1965, fez as malas e foi para São Paulo participar da peça Arena Conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Por este trabalho, Marília ganhou o prêmio de Atriz Revelação do Ano, da Associação Paulista de Críticos Teatrais.

Foi em um show realizado na boate Zum Zum, de volta ao Rio, que ela dividiu o palco pela primeira vez com Edu Lobo. Neste mesmo ano, com Bethânia, Caetano, Gil e Sérgio Ricardo, participou do programa Ensaio Geral da TV Excelsior.

A sua interpretação de Ponteio (Edu Lobo e Capinan) ao lado de Edu Lobo no III Festival de Música Brasileira da TV Record, não só lhe rendeu o 1º lugar na competição, como também apresentou ao país a sua voz. Logo em seguida, gravou o seu primeiro LP, Marília Medalha, pelo selo Philips, produzido por Aloysio de Oliveira.

Na próxima edição do Festival, conseguiu o segundo lugar com a música Memórias de Marta Saré, de Edu Lobo e Guarnieri. Sua interpretação da canção Pressentimento, de Elton Medeiros e Hermínio Belo de Carvalho, ganhou o 3º lugar na I Bienal do Samba da TV Record e entrou no seu segundo disco, também intitulado de Marília Medalha.

O álbum Como dizia o poeta - Vinícius, Toquinho e Marília Medalha, lançado em 1970 por conta de apresentações com os dois músicos no Teatro Castro Alves e no exterior, mostrou a compositora que existia além da cantora. Entre das músicas deste disco, Marília e Vinícius foram parceiros em várias outras composições.

Dois anos depois, ainda ao lado do poeta, lançou o LP Encontro e desencontro - Marília Medalha e Vinícius de Moraes. Ela foi a única compositora a produzir um conjunto de obras com Vinícius. Ainda em 72, também gravou o álbum Caminhada, com composições próprias, como Estrada Nova, Amanheci e Água escondida. Este disco rendeu alguns shows no Teatro da Praia, no Rio.

Marília voltou a atuar, ao lado de Zé Keti e João do Vale na nova montagem do espetáculo Opinião, de Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, dirigida por Bibi Ferreira. O seu papel já havia sido interpretado anteriormente por Nara Leão e Maria Bethânia.

Após rodar o Nordeste com o Projeto Pixinguinha, junto com Keti, em 78, lançou mais um LP, Bóias da Luz, com canções de Zé Keti, Gonzaquinha, Sueli Costa e Abel Silva. Depois desse disco, Marília se distanciou da cena musical e do Rio de Janeiro, apresentando-se raramente em algumas casas de São Paulo. Como no Projeto Funarte, com Rosinha Valença e no musical Dura Beleza, ao lado da atriz Thália Peres e do violonista Dante Ozzetti. Voltou a gravar somente em 92, com o disco Bodas de Vidro, produzido pelo governo municipal de Niterói (RJ).

Atualmente, com 66 anos, ela participa de alguns projetos com os quais se identifica, como tributos a Zé Kéti, homenagem a Clementina de Jesus e ao compositor Sidney Muller.



Marília Medalha é uma joia da nossa música brasileira. Seu lugar é ao lado de Elis, Bethânia, Gal, Maysa... Não me canso de ouvi-la.

Ela tem um MySpace, sabia? Corre lá e ouça algumas de suas canções.

domingo, 10 de abril de 2011

Toda a leveza de Moska

Na última sexta (08) fui ao Tom Jazz ver Paulinho Moska, no projeto Sons da Nova. Não era exatamente o show da turnê "Muito Pouco", mas contava com uma miscelânia de músicas novas e antigas. Bem simples, Moska + banquinho + violão. Confesso que me apaixonei.

Já estou de olho nas músicas do Moska há algum tempo. Só que nunca havia parado tudo e olhado somente para ele. A única coisa que tinha como certo era que ele é o compositor de umas das músicas do meu "top3", a "Muito Pouco", cantada pela Maria Rita no seu álbum "Segundo".

Sério. Eu amo essa música e, principalmente, essa letra. É de uma expressão e uma sinceridade que dá para sentir na pele. Pelo menos na minha.

O show, em si, foi leve e lindo. Daqueles de se ouvir com um sorriso no rosto. Tudo muito cru. Ele e toda a sua dramatização com gestos e o violão, acústico até nos erros. Valeu a pena me arrumar em dez minutos e sair correndo para o Tom Jazz - ganhei os ingressos em uma promoção da Nova Brasil FM, pelo twitter (!), e só descobri em cima da hora.

Para quem ainda não ouviu esse novo trabalho do Moska, corre. Gosta de poesia? De música bem feita e a arte pela arte? Não sabe o que está perdendo.

"Muito Pouco" é um álbum duplo. Lá na caixinha você encontra a seleção "Muito" e a seleção "Pouco". Segundo o próprio artista, durante a apresentação na última sexta, este disco é sobre a desaceleração. De como "tudo o que começa com muito pode acabar muito pior" e por isso mesmo, é melhor acalmar um pouco a vida antes que tudo vá para o brejo.


MUITO

Como sou fiel a minha personalidade, gosto muito mais da parte acelerada, ou melhor, da parte "Muito" da coisa. "Devagar, divagar ou de vagar" tem um ritmo e um astral muito gostoso de se mexer e talvez, revele como a sequência das músicas vão se desenrolando, "em cada esquina".

A metade da cereja do álbum é, claro, a música "Muito Pouco", que dá nome ao trabalho todo. Como disse antes, sou fã da versão da Maria Rita, bem desesperada e sentimental. Contudo, essa versão/original do Moska, me soa verdadeira. Realista, talvez. Talvez por que as palavras são dele mesmo, e provavelmente sabe do que está falando.

"Deve ser o amor" é a baladinha desse lado "Muito". Música apaixonada e como disse o próprio, uma declaração de amor à própria canção. "Canção Prisão" também fala da própria prisão. Um apaixonado prisioneiro da própria obsessão. [essa música no show ficou maravilhosa, por sinal]

"Soneto do seu corpo" tem letra de Leoni e música do Moska. Letra tarada e música safada, nas descrições do músico. Pura poesia. A música "Ainda" é, talvez, a minha preferida. Tem uma ironia e um desabafo pertinente e em iguais medidas. E a música, me remete à uma obsessão de filme francês. Ou algo assim.

O refrão de "Pêndulo" coloca quem está ouvindo na parede. Ele pergunta de que lado estamos, para que lado pendemos. Relaxa, o ritmo alivia a pressão da resposta e você ainda tem muito tempo de música para chegar a uma conclusão. A próxima, "Quantas vidas você tem" é a música mais romântica do álbum, na minha opinião. É aquela coisa do já-tentei-te-esquecer-mas-não-consigo e que faz você cantar junto e sofrer junto sem sentir nada disso, na verdade.

A última canção deste lado "Muito", "Antes de começar" é solidão pura e simplesmente. Todo mundo já teve um dia - ou dias - como este descrito. Essa música é muito visual, eu imagino certinho tudo o que se passa com o personagem da letra. É quase uma declaração de depressão. Queria muito ter ouvido essa no show, mas não rolou.

POUCO

Essa é o lado desacelerado. Devagar como as nuvens, quase parando. Acho lindo, mais e mais poético. Tem que estar no clima da calma para ouvi-lo por inteiro e apreciar cada pedaço. "Semicoisas" já introduz o ritmo. Parece uma canção de ninar e talvez deva ser assim mesmo. De acordo com o músico, esta e a próxima, "O Tom do Amor", foram feitas para seus dois filhos. O primeiro ainda bebê, justifica o balanço. O segundo, já adolescente, mostra como cresceu. Esta música, "O Tom do Amor", é a outra metade da cereja. Preciosa. Outro dia ouvi essa música cantada pelo próprio Moska junto com Zélia Duncan e Christiaan Oyens ao violão (veja aqui). Ficou perfeito.

Depois vem "Sinto Encanto". Música de Zélia Duncan, gravada por ela no seu último álbum, "Pelo sabor do gesto", outra preciosidade. Confesso que não gostei muito dessa versão do Moska. Talvez por gostar demais da original ou talvez pela implicância com a segunda voz no refrão, desnecessária. "Nuvem" é a música devagar devagar devagarinho. No ritmo das próprias mesmo. Uma parceria com o argentino Pedro Aznar e de ritmo particular.

Depois da nuvem vem o sol. "Waiting for the sun to shine" é um docinho. Esta é a única descrição que me vem. Parceria com Kevin Johansen, a música espera o sol brilhar, misturando espanhol, inglês e português. Tudo rimando, no seu devido lugar. No refrão ele fala solzinho para rimar com sozinho. Uma graça.

"Provavelmente você" quer ser uma baladinha ou um jazz, ou os dois. Gostosa de se ouvir, além de ter uma levadinha de violão que eu adoro. Mais uma que ao vivo ficou linda. "Oh my love, my love" é outro docinho de Kevin Johansen que cantada por Moska ganhou uma cara brasileira, apesar de cantada em inglês.

Em mais uma parceria, dessa vez com Zélia Duncan novamente, "Não" é mais uma dessas poesias espalhadas pelo disco. Também prefiro na voz da ZD, mas com Moska ela ganhou um violão que acrescenta na poesia. É uma música teimosa na letra.

E por fim, "Saudade" é uma parceria com o grande Chico César. Durante o show no Tom Jazz, Moska contou como foi o processo de criação desta música. Disse que um dia, numa das visitas de Chico à sua casa, ele chegou falando de como a Lua estava bonita, refletindo na Lagoa Rodrigo de Freitas (RJ) e isso resultou numa música para Bethânia. A música realmente é linda e simples. Não é a cereja, mas talvez o chantily do disco todo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tudo pronto?

Há alguns anos tenho vontade de manter um blog e confesso que houve tentativas, sempre frustradas. Pensando rapidamente no porquê dos fracassos, chego a conclusão que foi por motivo de tema demais ou simplesmente, por planejar demais. Ter um espaço aleatório por essa imensidão chamada internet deve ser algo espontâneo, atitude moleque, essas coisas.

A única coisa planejada disso aqui foi o nome, que na verdade não foi bem planejado, foi procurado, um quase caçado. Acho que já fizeram blog de tudo que é nome. Ô dificuldade para achar um endereço compatível. Amo Elis Regina e adoro essa música. A escolha foi na base da tentativa-e-erro, mas estou feliz que tenha dado certo.

E só. Não pensei em nada mais específico para falar por aqui.

Vai vir o que vier. Ou não.